Análise: campo e desgaste no Sul de Minas atrapalham, mas Cruzeiro tira lições para sequência

Se futebol fosse Justiça, ao menos um ponto teria voltado para BH; Rômulo e Adriano (mesmo sem jogar) mostram valor que têm para o time, que precisa melhorar a bola aérea ofensiva

Por Guilherme Macedo — de Belo Horizonte

Chegou ao fim a sequência de vitórias e jogos sem tomar gol do Cruzeiro. O time foi derrotado por 1 a 0 pelo Pouso Alegre, nesse domingo, e jogará a vida diante do Patrocinense, na última rodada da primeira fase. No Sul de Minas, uma atuação abaixo do que vinha tendo, mas com alguns “poréns” que vão além da responsabilidade do técnico e dos jogadores.
O calendário tem sido pesado para o Cruzeiro. Depois de dez dias de pausa no Mineiro por conta da pandemia da Covid-19, o time entrou em campo em abril pressionado, justamente por tropeços e atuações ruins no Estadual e também na primeira fase da Copa do Brasil. Fora do G-4 do Mineiro, teria de conseguir resultados a qualquer custo.
(Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)

E conseguiu, talvez no momento em que menos se esperava, justamente por conta da sequência de jogos. Foram seis em 18 dias. O peso, que já havia sido sentido contra o América-RN, ficou escancarado nesse domingo, em Pouso Alegre, mesmo com Felipe Conceição poupando Adriano e Airton, além de ter trocado Marcinho por Rômulo.

Desde o início, o Cruzeiro teve dificuldades para marcar a saída de bola do Pouso Alegre, diferentemente do que aconteceu nas melhores atuações com Felipe Conceição, diante do Coimbra e do Atlético-MG. Com a bola, a aproximação também não estava nos moldes habituais, e o campo facilitava os erros que o adversário tanto queria para sair em velocidade.

O gramado ruim prejudicou individualidades. “Pesado” – com um tipo diferente em relação às Arenas –, tornou o jogo mais físico e dificultou ainda mais para jogadores desgastados no Cruzeiro. Raúl Cáceres e Bruno José, que funcionam muito bem como dobradinha pela direita, jogaram mal. O lateral, inclusive, perdeu a bola que terminou no gol da vitória do Pouso Alegre. Matheus Barbosa, que completa aquele lado, também deu sinais claros de cansaço, com e sem a bola.

No segundo tempo, até em função de estar em vantagem no placar e ter perdido Paulo Henrique por lesão, o Pouso Alegre perdeu qualidade ofensiva e deixou de marcar a saída de bola do Cruzeiro, que passou a fluir melhor. Com Rômulo pensando o jogo e com as boas entradas de Stênio e Airton, o time ganhou volume e criou chances. Se futebol fosse justiça, ao menos um ponto teria vindo na bagagem azul e branca.

Mas o jogo também deixou lições. Sobre individualidades, ficou claro que Rômulo merece um lugar no time. Hoje, provavelmente, na vaga de Marcinho. Mas é polivalente, mostrou que pode jogar em qualquer uma do meio-campo. Setor, inclusive, que perdeu bastante sem Adriano. Matheus Neris cresceu no segundo tempo – e já mostrou qualidade em outros momentos -, mas está atrás do garoto formado na base cruzeirense, técnica e taticamente.

Coletivamente, fica evidente, mais uma vez, a falta de efetividade ofensiva, que já vem atormentando desde o início da temporada. Nesse jogo (12 finalizações para a equipe), especificamente, dá para levar em consideração o campo, que certamente influencia na qualidade dos arremates. Mas, entre os times que brigam pela vaga na semifinal, o Cruzeiro é quem tem, disparadamente, o número mais baixo de gols: 8. O time cria o suficiente para ter bem mais.

Felipe Conceição também precisa encontrar uma forma de ajustar melhor a bola aérea ofensiva. No Manduzão, o time teve 12 escanteios, além de algumas faltas próximas à área e outras chegadas à linha de fundo com a bola rolando. Somente uma dessas bolas, que acabou dividida por Matheus Barbosa, no primeiro tempo, levou perigo.

A situação na tabela evidencia como foi importante engatar quatro vitórias seguidas. Se um desses resultados tivesse escapado, a situação na rodada final seria desesperadora. Ela não é confortável, mas faz o Cruzeiro depender apenas de si para classificar, jogando contra um adversário sem aspirações na competição. Poderia ter sido evitada por alguns jogos pré-parada, mas está no pacote. É início de trabalho, com técnico e diversos jogadores chegando. Há evolução e, diferentemente de 2020, o Cruzeiro não merece ficar fora do G4 do Mineiro.

Fonte: Globoesporte.com/Cruzeiro

COMPARTILHAR